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Racismo, diversidade e inclusão

Por Bianca Furtado

O Brasil é o maior país do mundo em população afrodescendente fora do continente africano. Os afrodescendentes são mais de 79 milhões de homens, mulheres, crianças, e formam a segunda maior população negra do mundo, atrás apenas da Nigéria. O Dia da Consciência Negra é comemorado no dia 20 de novembro com diversas manifestações pela igualdade racial e inclusão social dos negros. Uma outra data importante que, de certa forma, tem relação especialmente com as mulheres negras, é o dia 25 de novembro, Dia Internacional pelo Fim da Violência contra a Mulher. A violência atinge todas as mulheres, mas geralmente as de baixa renda e negras são as maiores vítimas. O racismo não deixa de ser uma violência também.

Discriminação Racial e Preconceito de Cor no Brasil


Preconceito


Na pesquisa "Discriminação Racial e Preconceito de Cor no Brasil", a Fundação Perseu Abramo revela que 51% dos negros declararam já ter sofrido discriminação por parte da polícia. Entre os que se declararam da cor branca, esse número cai para 15%.


Educação e Trabalho

Em 2001, as taxas de analfabetismo eram duas vezes mais elevadas para os afrodescendentes (18%) do que para os brancos (8%).  No ensino fundamental, os pretos e pardos representam 53,2% do total de alunos e os brancos são 46,4%.  Já na pós-graduação, o índice de participação de afrodescendentes é de 17,6%, enquanto os brancos somam 81,5% do total. (Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2002).


Mercado de trabalho


Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revelam que ,dos 22 milhões de brasileiros abaixo da linha de pobreza, 70% são negros. Além disso, dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e da Justiça revelam que o rendimento médio dos homens brancos é de 6,3 salários-mínimos; da mulher branca é de 3,6; do homem negro é de 2,9 e da mulher negra 1,7.
Apesar do percentual de empregados pretos e pardos ter aumentado de 8,5% para 13,7% e o de mulheres de 28% para 30,1%, eles ainda são minorias em cargos de chefia: apenas 4,3% de pretos e pardos e 16,4% de mulheres.


Empresas

Existem programas de Diversidade de várias empresas que buscam incluir grupos desfavorecidos no mercado de trabalho, entre eles mulheres, deficientes físicos e afrodescendentes. No caso dos afrodescendentes, várias pesquisas mostram que, no Brasil, eles são discriminados quando o assunto é emprego. Os negros aparecem em menor parte e até mesmo ausentes em todos os níveis hierárquicos em grandes empresas nacionais e multinacionais. Pesquisa do DIEESE realizada em 2004 mostra que, mesmo estando mais inserido no mercado de trabalho, os afrodescendentes nem sempre conseguem boas colocações, vivendo em situação de desemprego e, quando empregados, realizam trabalhos mal remunerados ou informais.


Índice de Desenvolvimento Humano


Apartheid digital

 

 

 

 

O Mapa da Exclusão Digital de 2001 revela: entre os brasileiros que têm computador, 79,77% são brancos, 15,32% são pardos e 2,42% são pretos. Para fins de estudos demográficos, a classificação racial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é a oficial do Brasil, cujo critério básico é o que a coleta do dado se baseia na autoclassificação. Isto é, a pessoa escolhe, num rol de cinco itens (branco, preto, pardo, amarelo e indígena) em qual ela se aloca. Para a demografia, população negra é o somatório de preto+pardo.


Falta de informação é principal obstáculo para investimentos na questão racial


“Existem poucos recursos para a área de promoção de direitos e muito pouco para a área de justiça racial. As organizações do movimento negro costumam ter dificuldade em conseguir apoiadores para suas causas e acredito que seja porque as pessoas desconhecem o tema e têm medo do desconhecido.” Com essa afirmação, a assessora do Programa de Direitos Humanos da Fundação Ford, Denise Dora, aponta para uma das principais questões quando o assunto é diversidade racial.

No mês em que se comemora o Dia da Consciência Negra, o assunto costuma ser retomado com força, mas ainda não de forma suficiente para se fazer um debate contínuo e transformador. O debate é sempre positivo, visto que, há alguns anos, havia consenso de que o Brasil não era um país racista, de que tinha instituído um bom nível de convivência e de que não havia violência e discriminação racial no país.



Para ficar atualizado...

Confira as reportagens do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sobre o tema e o Relatório de Desenvolvimento Humano 2005.

» Ações voltadas para inclusão
» Marcha Zumbi + 10
» Onde você guarda seu racismo?
» Denuncie o crime de racismo
» III Seminário "Educação para a Diversidade"

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